O Lobisomem e o Jantar Proibido

Publicado em: 20/07/2025 03:17

(Ou: Como um fedor mudou o curso da licantropia nacional)

Era uma noite de lua cheia. A transformação veio com força: uivo rasgando o céu, dentes afiados, garra pronta pra ceifar o destino de algum distraído.

Lá estava ele, o Lobisomem, rei das trilhas, o terror do curral, o bicho que não deixava nem sombra escapar.

E o jantar daquela noite era especial. Um cristão fugindo a todo vapor, mais rápido que onça descendo barranco molhado. O bicho corria com tanta velocidade que parecia ter tomado nitro de mandioca com café preto.

O lobisomem já bufava, a língua de fora, suando que nem tampa de chaleira esquecida no fogão.

Até que o humano se meteu num beco sem saída.

— Agora tu é meu! — pensou o Lobisomem, já salivando, a baba espumando igual detergente batido na mão.

Mas bastou se aproximar… só um pouco mais…
E aí veio o BAFO.

Um cheiro tão horrendo, tão injusto, que a própria lua deu uma tremida. Era uma mistura de zumbi fugitivo do inferno depois de sete dias no forno, com o suor azedo de uma gambá que perdeu a luta contra o desodorante.

O lobisomem tentou aguentar. Tentou mesmo.

Mas seu nariz entrou em greve. As narinas acenderam como churrasqueira de domingo. Os pelos da cara enrolaram. As lágrimas escorreram.
— AAAUUUUUUUUUU! — foi o uivo.
Mas não de glória. De desespero nasal.

Correu mata adentro uivando de dor, arrancando grama e implorando por uma cebola crua pra limpar a alma.

Desde então, nunca mais caçou.
Virou vegetariano.
Hoje planta cebola, alho-poró e, nas horas vagas, dá palestra sobre higiene pessoal no mundo espiritual.

E é por isso, dizem os mais sábios, que lobisomens uivam pra lua: não é saudade, é trauma respiratório.

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