A Bebê que queria pegar a luz
Publicado em: 07/08/2026 04:32
Assim que cheguei na porta da sala, eu vi aquela bolinha de fofura sentadinha no chão: uma blusa de moletom vermelha por cima de outra, uma calça de lã listrada por cima de outra. Era manhã de início de primavera, e aquela dupla camada de roupa, além de protegê-la do frio, ainda a fazia parecer mais gordinha, redonda e fofa do que já era. Um pézinho — o direito — de sapato, e o outro só de meia, porque ela sempre tirava um pé de sapato.
Estava tão quietinha e concentrada que eu não entrei na sala; parei na porta, em silêncio. Não queria interromper a concentração dela e também estava curioso para saber o que tinha de tão interessante ali para que uma bebezinha sorridente e barulhenta como ela estivesse tão silenciosa.
Eu logo descobri: a parede atrás dela tinha um pequeno espaço entre as tábuas, e por ali entrava a luz do sol, fazendo uma linha fina, fina, dourada e reluzente. Era aquela linha fina que a tinha hipnotizado. Continuei em silêncio, olhando, olhando e esperando para ver o que ela faria com aquela linha que a fascinava tanto.
Então ela juntou os dedinhos gordos — polegar e indicador — fazendo uma pinça, e levou a mãozinha até a linha no chão. Fechou os dedinhos, tentando pegar a luz. Nem percebeu que, ao colocar a mãozinha em frente à luz, a linha ficava nas costas da mão dela. Levantou a mão, com os dedinhos fechados como se estivesse segurando um fio de cabelo, virou os dedinhos e olhou: não tinha nada. Olhou para o chão, e a linha ainda estava lá.
Tentou outra vez. O mesmo processo: olhou as pontas dos dedos, não tinha pegado nada; olhou para o chão, lá estava a linha. Eu tive que rir, mas ri em silêncio. Queria ver se ela conseguiria pegar a luz.
Ela tentou mais uma vez e, quando olhou, viu que não tinha conseguido. Olhou para o chão: a linha continuava lá. Respirou fundo, um suspiro de quem diz "Desisto". Frustrada por não conseguir pegar, espalmou a mão — os nós dos dedos fazendo covinha, de tão gordinha que era a mão — e esfregou a mão em cima da luz, como se quisesse apagar aquilo.
Aí, como se tivesse acabado de acordar, olhou ao redor — não sei se procurando algo ou apenas se localizando. E, quando me viu parado na porta, abriu um sorrisão, daqueles só com dois dentinhos, mas que é tão sincero que os olhinhos ficam pequenos.
Estava tão quietinha e concentrada que eu não entrei na sala; parei na porta, em silêncio. Não queria interromper a concentração dela e também estava curioso para saber o que tinha de tão interessante ali para que uma bebezinha sorridente e barulhenta como ela estivesse tão silenciosa.
Eu logo descobri: a parede atrás dela tinha um pequeno espaço entre as tábuas, e por ali entrava a luz do sol, fazendo uma linha fina, fina, dourada e reluzente. Era aquela linha fina que a tinha hipnotizado. Continuei em silêncio, olhando, olhando e esperando para ver o que ela faria com aquela linha que a fascinava tanto.
Então ela juntou os dedinhos gordos — polegar e indicador — fazendo uma pinça, e levou a mãozinha até a linha no chão. Fechou os dedinhos, tentando pegar a luz. Nem percebeu que, ao colocar a mãozinha em frente à luz, a linha ficava nas costas da mão dela. Levantou a mão, com os dedinhos fechados como se estivesse segurando um fio de cabelo, virou os dedinhos e olhou: não tinha nada. Olhou para o chão, e a linha ainda estava lá.
Tentou outra vez. O mesmo processo: olhou as pontas dos dedos, não tinha pegado nada; olhou para o chão, lá estava a linha. Eu tive que rir, mas ri em silêncio. Queria ver se ela conseguiria pegar a luz.
Ela tentou mais uma vez e, quando olhou, viu que não tinha conseguido. Olhou para o chão: a linha continuava lá. Respirou fundo, um suspiro de quem diz "Desisto". Frustrada por não conseguir pegar, espalmou a mão — os nós dos dedos fazendo covinha, de tão gordinha que era a mão — e esfregou a mão em cima da luz, como se quisesse apagar aquilo.
Aí, como se tivesse acabado de acordar, olhou ao redor — não sei se procurando algo ou apenas se localizando. E, quando me viu parado na porta, abriu um sorrisão, daqueles só com dois dentinhos, mas que é tão sincero que os olhinhos ficam pequenos.